Reposição hormonal feminina é o tratamento com estrogênio — isolado ou combinado à progesterona — indicado principalmente para sintomas do climatério e da menopausa: ondas de calor, suores noturnos, insônia e sintomas geniturinários. O melhor momento para iniciar é nos primeiros 10 anos após a menopausa ou antes dos 60 anos, período em que o benefício supera o risco em mulheres saudáveis.
Em resumo
- O diagnóstico da menopausa é clínico: 12 meses sem menstruar, com os sintomas típicos.
- Mulheres com útero preservado recebem estrogênio + progesterona; sem útero, estrogênio isolado.
- A via transdérmica (gel ou adesivo) costuma ser preferida quando há risco de trombose.
- Sintomas apenas geniturinários (secura, dor na relação, urgência urinária) podem ser tratados com estrogênio vaginal em dose baixa.
- Câncer de mama ou de endométrio em atividade, trombose recente, doença hepática grave e sangramento sem causa definida contraindicam a terapia sistêmica.
Quando a reposição hormonal feminina é indicada
A indicação mais estabelecida são os sintomas vasomotores que interferem no sono, no humor e na rotina — ondas de calor e suores noturnos. Entram também a síndrome geniturinária da menopausa e a prevenção de perda de massa óssea em mulheres com risco aumentado de fratura.
Outro cenário é a menopausa precoce ou a insuficiência ovariana primária: nesses casos a reposição costuma ser mantida ao menos até a idade média da menopausa natural, porque a falta precoce de estrogênio tem impacto ósseo e cardiovascular.
A janela de oportunidade
As diretrizes brasileiras apontam o início dentro dos primeiros 10 anos após a menopausa, ou antes dos 60 anos, como o período em que os benefícios superam os riscos em mulheres saudáveis. Começar depois dos 60 anos, ou com mais de 10 anos de menopausa, não é recomendado: nesse cenário aumentam os riscos cardiovascular, de tromboembolismo venoso e de AVC.
Isso não significa que quem passou da janela fique sem tratamento. Sintomas geniturinários seguem tratáveis com estrogênio local, e queixas de sono, humor e saúde óssea têm manejo próprio.
Esquemas e vias
| Via | Como funciona | Observação |
|---|---|---|
| Oral | Comprimido diário | Passa pelo fígado; evitada quando há risco de trombose |
| Transdérmica (gel ou adesivo) | Absorção pela pele | Preferida em risco tromboembólico e em hipertrigliceridemia |
| Vaginal (creme, óvulo ou anel) | Ação local em dose baixa | Para sintomas geniturinários isolados; absorção sistêmica mínima |
| Implante subcutâneo | Liberação contínua por meses | Exige indicação criteriosa e acompanhamento laboratorial |
Mulheres com útero preservado precisam de progesterona associada ao estrogênio para proteger o endométrio. Sem essa associação, o estrogênio isolado aumenta o risco de hiperplasia e câncer de endométrio.
Riscos, contraindicações e o que monitorar
Os principais riscos discutidos são tromboembolismo venoso (maior na via oral), AVC e câncer de mama, cuja magnitude depende do esquema, do tempo de uso e da idade de início. São contraindicações: câncer de mama ou de endométrio em atividade, sangramento genital sem diagnóstico, trombose venosa ou evento cardiovascular recente, doença hepática grave e gestação.
O acompanhamento inclui revisão periódica de sintomas e efeitos adversos, controle de pressão arterial e peso, e rastreios em dia — mamografia e demais exames conforme idade e histórico. A decisão de manter, ajustar ou suspender é revista a cada ciclo de acompanhamento.
E a testosterona na mulher?
A testosterona feminina tem indicação estudada no desejo sexual hipoativo após a menopausa, em doses muito menores que as masculinas e depois de afastadas outras causas. Fora dessa situação, a prescrição é off-label e exige critério — o tema está detalhado em testosterona bioidêntica.
Perguntas frequentes
Reposição hormonal feminina engorda?
A terapia hormonal em si não é causa estabelecida de ganho de peso. O ganho comum nessa fase se relaciona à queda do gasto energético, à perda de massa muscular e a mudanças de rotina; medir composição corporal ajuda a separar gordura de retenção.
Quem não menstrua mais pode fazer?
Sim — é justamente o cenário da menopausa. O que define a indicação são sintomas, tempo desde a última menstruação, idade e histórico de saúde.
Por quanto tempo pode ser mantida?
Não há prazo fixo. A manutenção é reavaliada periodicamente, pesando benefício atual, riscos acumulados e preferências da paciente.
Preciso de exame de sangue para começar?
O diagnóstico da menopausa é clínico, mas exames ajudam a excluir outras causas de sintomas (tireoide, anemia) e a avaliar risco cardiovascular e metabólico antes de escolher a via.
Referências
- Febrasgo — Diretrizes para a terapia hormonal no climatério e na menopausa
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
Conteúdo informativo, sem substituir consulta médica. Avaliação com o Dr. Vinícius Andrade Nunes (CRM-MG 42984) pelo fale conosco.
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